terça-feira, 27 de novembro de 2012


Hoje sonhei contigo, o remetente subentendido desta carta não redigida, não enviada, impossivelmente lida. Apesar da banalidade que poderá representar para ti, que afirmas que povoo tão frequentemente as tuas noites, para mim, tão absorvida na minha incapacidade de relembrar pormenores sonhados, constitui um autêntico choque. Bem sabes que sou uma perfeita amante das meias frases, das palavras não proferidas, dos gestos não agendados. A imprevisibilidade não me é familiar e produz o habitual efeito sobre mim: a inquietação típica de uma menina que não quis crescer. Hoje sonhei contigo. Tudo isto para me lembrar do quanto tenho andado esquecida de ti. Infelizmente, agora já não posso dizer que sou demasiado nova ou inexperiente e os pedidos de desculpas sabem a orvalhada da manhã: refrescam, mas não saciam. Quanto mais tempo esperarás por mim?

 

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