sexta-feira, 15 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Cercas. Existem cercas a tentar circunscrever as pradarias, invadidas por flores selvagens e ervas daninhas, habitantes por direito dessas terras sem dono. Nós temos a música, as linhas, as cores. Nós temos os tecidos amarrotados e o chilrear dos pardais, quais compassos temporais. Nós temos as cordas e as teclas de pianos desafinados, tocados ao de leve por ventos fracos. Nós somos partículas de vento, demasiadamente pouco densas para nos conseguirmos segurar à terra. E depois, quando nos elevamos demasiado, vagueamos em incertezas. Ouvimos o som dos ponteiros, em surdina. Está-nos incrustado. Planeamos minutos, queremos partilharmo-nos com todos. Um dia, teremos todo o tempo do mundo e aperceber-nos-emos que o perdemos. Perdemos o tempo, que é tão imenso, perdemos o nosso tempo- que tem um limite, sabes?- e tu perdeste todo o nosso tempo, ao gastá-lo com os outros. Espero que estejas a ser muito feliz e que, quando cá já não estiver, tenhas uma resposta diferente. Terás todo o tempo do mundo. Para quê?!
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