sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fez tanto tempo. Ontem e o outro dia foram os nossos dias de glória. Só agora me apercebi de como o calendário se encontra preenchido por datas passadas que atormentam as presentes. Em suma, o meu pavor é tanto maior quanta a probabilidade de vir a esquecer e a de não querer lembrar.
Um novo natal avizinha-se. Supreendentemente, tem sabido a pouco e a incompleto. Onde estão as canções, as luzes cintilantes que alegram os finais de tarde, os cachecóis entre sacos de compras realizadas apressadamente sob o tictac de um compasso desregulado? As prendas a encherem a sala, entre as bolas partidas ao montar a árvore, os bichinhos do musgo do presépio, o vermelho sangue e  verde esmeralda, o dourado dos gorros, os cabelos a rebelarem-se contra os capuchos? Oh,agora temos queques e muffins, temos falta de mantas, vestidos de gala e unhas por pintar. Temos toda uma alegria pautada pelo aconchego das semelhanças.