segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Nós costumavámos imaginar conjuntamente, envolver a terra revolvida no meu vestido, chapéus de palha entre a relva descuidada destes bairros alfacinhas e as ervas dos arredores da cidade dos estudantes. Prometíamos sempre mais tempo, mais paciência, mais melros em nosso torno e mais ar a cheirar a flores,. Até mais correrias aparvalhas motivadas pela presença não inofensiva das pequeninas abelhas! Prometíamos mais carros de mão carregados de pinhas, mais formas e desenhos vistos em nuvens, mais gargalhadas inaudíveis. Havia um tempo em que os relógios ficavam em casa, só para podermos justificar os nosso atrasos pela perda da noção de tempo. Prometíamos. Prometíamo-nos. Sempre em silêncio, silêncio no qual nos tornámos.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Gosto muito de te ver, Leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, Leãozinho

Para desentristecer, Leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
O meu coração é o sol pai de toda a cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu

Gosto de te ver ao sol, Leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba

Gosto de ficar ao sol, Leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar numa

Costumava ser assim. Porque insistes em amargurar as nossas vivências?
"É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, o nó da madeira
Caingá candeia, é o Matita-Pereira

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho


É um estepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto do toco, é um pouco sozinho
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho

Link: http://www.vagalume.com.br/elis-regina/aguas-de-marco.html#ixzz2Ho015WkX
Subitamente, o meu olhar é desviado. Atento nas datas de todos os pequenos rascunhos deste blog. Remetem, os mais antigos, a 2010! Eu, que tive tanto ambição de blogs representativos de etapas, etapas que fazia questão de realçar, iniciando um novo, debruçando-me sobre um novo leque de cores, uma nova estrutura, uma linha de pensamento errantemente dispar, uma alegria contagiante por um passo à frente que, verdadeiramente, constituiam saltos indecisos entre as folhas de outono num inicio de janeiro ainda por despertar. Este é o mais longo, o menos completo, o mais subtil pedacinho de mim, que, ao invés de estar ansiosa por fechar, anseio por prolongar. É isto que o tempo nos traz.