sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

23:35):
não é bonito
23:36):
porquê?
(23:36):
porque dói
sempre do mesmo modo. E depois admiras-te. Barafustas e exclamas, como se fosse algo completamente imprevisível. Cada um colhe, as flores que semeia. Eu cuido, cuidadosamente, do meu canteiro, e entre as margaridas e os crisântemos, lá estão eles: pequeninos, os amores perfeitos. Tu não. Tens um pedaço de terra, cheio de ervas. Tens flores murchas no canto e pétalas soltas na terra. Tens folhas e ramos secos - tudo vestigios bem bonitos, para guardar numa caixinha de recordações. E ambos reflectem o que somos. Embora com bastantes falhas, eu estou cá. Estou cá para ti, como não estou para mais ninguém, e como já estive tantas vezes para tantos outros (que também deixaram o canteiro desfalecer). Há muito, muito tempo. Tu olhas para o lado, desvias-te. Expressas um sorriso de vez em quando, e eu finjo acreditar que está tudo bem. Descuras os pormenores e eu, eu começo a sentir-me cansada de colmatar as tuas, constantes, lacunas. Usa os teus pauzinhos para acender uma fogueira. Nós temos vindo a perder o calor e o conforto. E uma vez apagada, eu não tenho a certeza se conseguimos reacendê-la.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Somos como peças de puzzles. Daqueles que recebíamos em pequenos e, depressa, perdiamos as peças todas, espalhadas pelos cantos do quarto, da sala, dos bolsos meios cheios e das mochilas de escola. Nós não nos encontramos porque, tal como a elas, não nos damos ao trabalho de nos procurarmos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tu terias estado cá. Ter-me-ías abraçado e colocado ao teu colo, porque sempre assim foi. Ter-me-ías dito que não é mais do que uma fase, que o mundo sim, é bonito, que eu devo alimentar essa crença. Não, talvez não, mas não importa. Mesmo sem tudo o resto, tu terias estado cá.

Boa noite.
Amizades, são meios rosados, de nos magoarmos mais docilmente.
Há um saquinho. Um saquinho guardado -bem guardado- algures. Lá dentro, tem daqueles pozinhos de contos de fadas - aqueles em que nós acreditamos quando somos pequenos e, à medida que crescemos, vamos perdendo o seu rumo e a magia de acreditar, que é necessária para o reencontrar. E, quando damos por nós, estamos realmente vazios. Eu tenho um saquinho. Um saquinho, com flores de alecrim e folhas de cidreira. Um saquinho, com uma fita dourada a prender as pontas já desfeitas de serapilheira. Eu tenho um saquinho, já bastante "Copo meio cheio", debaixo da cama.