domingo, 30 de setembro de 2012

O outono tem chegado. Não na data definida e apontada no calendário, mas aos poucos e poucos. Os cogumelos vermelhos e castanhos dos desenhos infantis, as folhas multicoloridas em torno dos chapéus de chuva preventivos e dos troncos das árvores ainda vestidas. O céu apresenta tonalidades semelhantes às dos dias de verão (e não são estes os últimos dias da estação?), os raios de sol ainda incidem sobre nós. Porém, o aquecimento provém de outras fontes. As nuvens ameaçam chuviscos, que nós ignoramos aquando da apressada pausa de 30 minutos. A noção do suposto tem sido desmembrada entre as vozes roucas, as piadas secas ao almoço e os jogos de cartas. O vazio do tempo tem sido compensado com novas companhias. Estamos a criar uma outra dimensão, só nossa, tão nossa que quem nos rodeia a apelida de ridícula. E aí, aí surgem as trocas de olhares intuitivas que se revestem de significado. Estas são as nossas novas pessoas, os novos pedaços que nos constituem e que nós queremos desesperadamente guardar para nós. Tudo porque o contrário nos parece absurdo.

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