As madrugadas têm um semblante especial. As madrugadas na cidade, têm uma espécie de aroma e cor diferentes. Os prédios, tal como camisas já desbotadas, afiguram-se cada vez menos coloridos, com uma estranha textura e rabiscados, desprovidos de significado lógico. As estradas assemelham-se a um coração destroçado: têm tantos buracos e estão tão desfeitos, feitos de materiais tão instáveis. Nos estendais, as toalhas gastas esvoaçam com o vento, que está, particularmente, arisco, esta manhã. Vidros lacrimejados pelas lágrimas da chuva, secos pela calmaria das marés. Tal como nós.
Lá fora as cerejeiras bravas florescem. E os tentilhões povoam os pedacinhos de terra da cidade, em busca de alguma migalha que, eventualmente, alguma menina tenha deixado cair. A Primavera chegou amor, como sempre, antes do tempo!
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