sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

sempre do mesmo modo. E depois admiras-te. Barafustas e exclamas, como se fosse algo completamente imprevisível. Cada um colhe, as flores que semeia. Eu cuido, cuidadosamente, do meu canteiro, e entre as margaridas e os crisântemos, lá estão eles: pequeninos, os amores perfeitos. Tu não. Tens um pedaço de terra, cheio de ervas. Tens flores murchas no canto e pétalas soltas na terra. Tens folhas e ramos secos - tudo vestigios bem bonitos, para guardar numa caixinha de recordações. E ambos reflectem o que somos. Embora com bastantes falhas, eu estou cá. Estou cá para ti, como não estou para mais ninguém, e como já estive tantas vezes para tantos outros (que também deixaram o canteiro desfalecer). Há muito, muito tempo. Tu olhas para o lado, desvias-te. Expressas um sorriso de vez em quando, e eu finjo acreditar que está tudo bem. Descuras os pormenores e eu, eu começo a sentir-me cansada de colmatar as tuas, constantes, lacunas. Usa os teus pauzinhos para acender uma fogueira. Nós temos vindo a perder o calor e o conforto. E uma vez apagada, eu não tenho a certeza se conseguimos reacendê-la.

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