sexta-feira, 15 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Cercas. Existem cercas a tentar circunscrever as pradarias, invadidas por flores selvagens e ervas daninhas, habitantes por direito dessas terras sem dono. Nós temos a música, as linhas, as cores. Nós temos os tecidos amarrotados e o chilrear dos pardais, quais compassos temporais. Nós temos as cordas e as teclas de pianos desafinados, tocados ao de leve por ventos fracos. Nós somos partículas de vento, demasiadamente pouco densas para nos conseguirmos segurar à terra. E depois, quando nos elevamos demasiado, vagueamos em incertezas. Ouvimos o som dos ponteiros, em surdina. Está-nos incrustado. Planeamos minutos, queremos partilharmo-nos com todos. Um dia, teremos todo o tempo do mundo e aperceber-nos-emos que o perdemos. Perdemos o tempo, que é tão imenso, perdemos o nosso tempo- que tem um limite, sabes?- e tu perdeste todo o nosso tempo, ao gastá-lo com os outros. Espero que estejas a ser muito feliz e que, quando cá já não estiver, tenhas uma resposta diferente. Terás todo o tempo do mundo. Para quê?!
domingo, 10 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
Ambas as nossas opiniões são excessivamente coerentes. Ainda que demasiado dramáticas e drásticas, são reflexivas. As nossas falhas estão disfarçadas, com camadas de pó de celeiro, a preencher os poros. Imperfeições encobertas. Como dizes, tão diferentes. São as nossas distintas marcas que nos completam.
sexta-feira, 25 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
PEIXOTO, José Luís da
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
PEIXOTO, José Luís da
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