Quando o pouco que temos materializado dos nossos tempos irascíveis de adolescência continua repleto de sentido. E vivo, tão vivo como se tivesse sido hoje.
"Foste embora, já faz muito tempo. Na altura, quis seguir as tuas passadas mas depressa me percebi que caminhávamos os mesmos trilhos, a ritmos diferentes. Não foram as ideias ou os ideais que travaram a nossa contenda, mas tudo o resto. Fomos pessoas fracas. Fracas e subordinadas pela esperança."
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Reconheço que existem dias em que já não penso em ti. Decorrem semanas até que, por efeito secundário, te apoderas da parte de ti que se encontra apenas em mim. A nossa foi a única relação que juraria inquebrável. O teu carinho desmedido, o teu respeito inabalável, a tua indestrutível ideia de que me amavas. Contigo, a teu lado, nunca antes havia duvidado. Eras a pessoa que acreditei ficar comigo para sempre. Um sempre no qual não acreditava, uma eternidade encarada por mim como efémera, tempo sumido. Contigo, por ti, por tua causa, dei como assumida uma primavera perene.
Se pudesse dizer-te toda a falta que fazes, todo o vazio que deixaste no teu antigo lugar.
Todos os restantes ficam chocados com a minha não insistência, com a minha tão fraca persistência e tentativa em contactar-te, em trazer-te de novo para perto de mim. Não sinto que possa fazê-lo. Não me sinto no direito de te envolver novamente, de requerer o que outrora me deste. Entregaste-me demasiado de ti, entregaste-te excessivamente. Cuidaste de mim, consciente de que essa constituía a melhor forma de te manteres afastado de toda a mágoa que te exasperava. Esperaste por mim. Esperaste por mim muito tempo. Procurei fazer o mesmo por ti. Quis não te impor todas as regras das quais nos tinhas libertado anteriormente. Creio que não percecionei a dimensão que a tua distância acarretava. Não equacionei a possibilidade de ser o teu modo de ir embora. Não acreditei, ainda não compreendo, como não estás aqui. Sei que, irremediavelmente, não receberei flores, nem chamadas nem mensagens nem desejos de bons sonhos vindos de ti. Vez alguma. Sei-o e dói-me insuportavelmente. É incomportável saber que não voltarás, porque sei que te é preferível assim. Conheço-te e sinto que precisaste de te libertar. Não estou ofendida, ou zangada, ou triste por ti. Estou certa de que esta decisão, que sabes reversível, te trouxe orientação. Sei, principalmente, que necessitaste de recomeçar, como tão frequentemente te aconselhei, que te foi imperativo abdicar da realidade desconfortável em que te encontravas. Facilmente saberia como estás e que rumo tomaste. Todavia, devolvo-te a consideração com que sempre me trataste e deixo-te entregue ao que escolheste. A tristeza que evocas deriva somente do facto de não estares cá e de eu te querer desesperadamente comigo. És definitivamente o único que conhece o melhor de mim. Junto de ti, a minha melhor parte, a minha essência, Em ti, tão meu.
Se pudesse dizer-te toda a falta que fazes, todo o vazio que deixaste no teu antigo lugar.
Todos os restantes ficam chocados com a minha não insistência, com a minha tão fraca persistência e tentativa em contactar-te, em trazer-te de novo para perto de mim. Não sinto que possa fazê-lo. Não me sinto no direito de te envolver novamente, de requerer o que outrora me deste. Entregaste-me demasiado de ti, entregaste-te excessivamente. Cuidaste de mim, consciente de que essa constituía a melhor forma de te manteres afastado de toda a mágoa que te exasperava. Esperaste por mim. Esperaste por mim muito tempo. Procurei fazer o mesmo por ti. Quis não te impor todas as regras das quais nos tinhas libertado anteriormente. Creio que não percecionei a dimensão que a tua distância acarretava. Não equacionei a possibilidade de ser o teu modo de ir embora. Não acreditei, ainda não compreendo, como não estás aqui. Sei que, irremediavelmente, não receberei flores, nem chamadas nem mensagens nem desejos de bons sonhos vindos de ti. Vez alguma. Sei-o e dói-me insuportavelmente. É incomportável saber que não voltarás, porque sei que te é preferível assim. Conheço-te e sinto que precisaste de te libertar. Não estou ofendida, ou zangada, ou triste por ti. Estou certa de que esta decisão, que sabes reversível, te trouxe orientação. Sei, principalmente, que necessitaste de recomeçar, como tão frequentemente te aconselhei, que te foi imperativo abdicar da realidade desconfortável em que te encontravas. Facilmente saberia como estás e que rumo tomaste. Todavia, devolvo-te a consideração com que sempre me trataste e deixo-te entregue ao que escolheste. A tristeza que evocas deriva somente do facto de não estares cá e de eu te querer desesperadamente comigo. És definitivamente o único que conhece o melhor de mim. Junto de ti, a minha melhor parte, a minha essência, Em ti, tão meu.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Now he's gone I dont know why
Until this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie
Ainda hoje continuo sem compreender o teu desaparecimento. E o tempo passa, e voltas a fazer anos e eu sei, continuo a saber, as datas. Não que agora faças verdadeiramente falta, já me habituei à tua não presença, às memórias que parecem, agora, tão vagas. Nunca pretendi esquecer. Porém, forçosamente, reconheço que o tempo atenua e essa atenuação é uma bênção. Sem ela, nunca poderia ter seguido em frente, nunca poderia sentir-me, presentemente, tão preenchida. Há, contudo, um aperto, uma sensação de angústia que nos acompanha. Permanentemente. São todos os fracassos bonitos que precederam toda a nossa tranquilidade atual.
Until this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie
Ainda hoje continuo sem compreender o teu desaparecimento. E o tempo passa, e voltas a fazer anos e eu sei, continuo a saber, as datas. Não que agora faças verdadeiramente falta, já me habituei à tua não presença, às memórias que parecem, agora, tão vagas. Nunca pretendi esquecer. Porém, forçosamente, reconheço que o tempo atenua e essa atenuação é uma bênção. Sem ela, nunca poderia ter seguido em frente, nunca poderia sentir-me, presentemente, tão preenchida. Há, contudo, um aperto, uma sensação de angústia que nos acompanha. Permanentemente. São todos os fracassos bonitos que precederam toda a nossa tranquilidade atual.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
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